8.9.17

Extermínio

Catapultavam as armas para os de cima
E sem nada no corpo eu tinha fome.
A fome devorava a minha cabeça e a minha barriga minguada.
Andava pela rua com minha mania aluada,
E com meus cabelos vermelhos chocante.
Era vida imergindo pulsante
Não uma decoração de estante,
“Posso ser isso? O que eu tenho que fazer?”
“Como devo me portar? O que tenho que dizer?”
“Quem eu posso amar? O que é correto?”
“Preciso sempre estar bem e discreto?”
Passei a ser uma ameaça.
Deixe-me ou então passa
Para a esquerda ou para a direita
Para a puta que lhe pariu!
Extermínio de palavras como nunca mais se viu.

Neologismo babaca de merda,
Me pegou na cabeça como piolho.
Enfestou a minha pequena queda
Dentro do simbolismo de um olho.
Poder já não posso, mas tento
Não morrer pelo meu próprio lamento,
Minha luta talvez não se cesse,
Diminua quando enfim escurece,
Depois do dia que levei um tapa na cara,
Por ser uma ameaça e ter garra,
Querer o que ninguém mais quer hoje em dia.

Dorothy sua boba, não existe nada depois da cor.
Não adianta tentar amar se ninguém mais quer o amor.
Vou fazer macarrão, arrumar meus cabelos,
Na próxima encarnação, viver aos atropelos,
Tentando a sorte sem ser tentado,
Nessa vida patética de medo sem um lado.
Porque eu estou desarmado
Mas levo tiros e mais tiros no peito,
Sim, isso não tem mais jeito
É meu prato de feijão com arroz e mais nada.

Branco, preto, gay, o que quiser,
Pode ser homem e se vestir de mulher...
Pode criar uma palavra que nunca existiu,
Pelo Neologismo de um amor tão sombrio.
“O que eu fiz para ser assim tão magro?”
“O que eu fiz para ser assim tão estranho?”
“Com isso eu serei amado?”
“Com isso o que é que eu ganho?”
Não se atente para o fato seu idiota.
Não olhe para mim, sou patriota
Sou um maldito tentando saborear esta droga
Engolir isso que não mata minha fome
Não enche minha cabeça
Apenas a esvazia...
E se vai mais um dia,
Na banalidade de que fui um inútil...
Por que preciso ser tão fútil?
Por que não posso gritar no meio da rua?
Meu Deus! Meu Deus! Eu te clamo!
Eu te quero aqui e agora, vem com seu armagedon!
Destrói tudo com seu manto apocalíptico,
Me faz ser menos estranho e fatídico,
Eu sou a minha própria destruição.

E quando fechar os olhos e não ver mais nada,
Dorothy sua boba, você não pode voar como os pássaros!
Você não pode escurecer os santos!
Você não pode enfeitiçar as pessoas!
Você não pode mudar o que existe!
Você não pode sonhar o que sonha!
Você é uma estátua de bronze, na vitrine,
Não pode colocar um biquíni!
Você não pode é mais fazer nada...
Ver nada...
Fechar os olhos...
E ser um nada...
Mais nada...
Nada...
Nadar dentro da própria consciência pesada,
Dormir com a porta trancada,
Com medo de ser abusada...

Queria poder erguer comigo toda uma classe,
Que pudesse ser confortável e que amasse,
E abraçar a minha excentricidade
Pois já quis ser um padrão, bonito como o imposto.
Mas fui contra a felicidade
Da minha razão, pelo que me foi proposto.
Eu sou um “nerdevorador” de palavras.
E não posso ser tantas outras coisas.
Extermínio. Acabei com todos os meus pensamentos.

By: Vinicius Osterer
Feito em 06 de Agosto de 2017.

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