30.3.17

Poesia em Prosa

Sua voz mais sincera é egoísta,
E seu desejo é meio masoquista,
Você é lento quando as atitudes deveriam ser práticas!
Um belo aperto no peito, um puxão de cabelo,
Um amor maior pelo que existe por primeiro,
Por que o primeiro parece ser essencial a todo homem,
Mas não tira o mérito de um segundo ou terceiro,
De um quarto ou último lugar,
Egoísmo maior é ter amor e não amar,
Por que caras e bocas não enchem a página,
Nem apenas a vontade de escrever por escrever,
Qualquer porcaria que se escreva por causa da agenda,
Por causa do mau tempo, do vento no rosto e do horizonte.
Poderia escrever sobre o que agora?
Sobre o homem que me olha ou sobre aquela senhora,
Aquela velha que anda de guarda-chuva solitária?
E eu achando que era espontâneo e diferentão,
Fernando Pessoa já era outro há maior tempão,
O primeiro desta essência,
O segundo é decadência,
E eu gosto de ser o segundo, o terceiro, o último,
E por quantas vezes eu acreditar neste carnaval de baboseiras,
Vou na missa quase todas as quarta-feiras,
E esta não vai ser uma exceção.
Estava lendo uma coletânea de Ignácio de Loyola Brandão,
E percebi que isto era um conto, era poesia, simples rima,
Então coloquei um pouco mais de auto-estima,
Se eu era uma decadência ainda assim teria do que me orgulhar,
Só era um perfeito egoísta na maneira de pensar,
Por que meus pés descalços nas pedras irregulares sustentavam,
Minhas pernas cruzadas e sentadas em um banco de concreto,
Só era tão imperfeito e secundário,
Não aprendi a ser normal no primário,
Nunca precisei de um armário,
Sempre estive fora dele, me aceitando,
Às vezes quieto, triste e chorando,
Nas outras altivo, vigoroso e feroz,
Ampliando a situação aguda da minha voz.
Voz sincera e egoísta.
Parada estratégica para responder minha rede social,
O que já virou moda e é até habitual,
Por que não invadiria a baixa literatura?
Aquela literatura porta de cadeia e bem vagabunda.
Estou na melhor decadência,
Quase oito anos de experiência:
Literária, da vida, das pessoas e formas,
Dos gêneros, desgostos, semântica e das normas,
A língua portuguesa é deficitária?
Se melhor ou pior, será minha mortalha!
É com ela que deixarei minha vida viva depois de morto,
É com ela que provarei que eu não sou tão louco,
Só quero tanto que isso não tem mais grandeza,
É secundária, é terciária, é a língua portuguesa?
É exatamente o que deve ser,
Dentro de seus nomes exagerados, adjetivos impronunciados,
Advérbios, substantivos e verbos de doutores e letrados,
Do realismo ao romantismo dos tantos autores publicados,
Isso pode ser música? Ser Rap? Ser Pop? Ser cultura?
É poesia em prosa de uma forma simples e madura?
Eu fico melhor na decadência,
Coberto pelo sol da demência,
Sonhando com Ayke, Maverick ou um diabo qualquer,
Um escritor secundário, um autor salafrário, que ninguém quer,
Mudança de cabelo e de perspectivas,
Dentro das minhas grandes expectativas.
Substituir velhos amigos por amigos melhores,
Se alegrar pelas coisas que são menos piores,
Estou nos meus melhores dias,
Poderia escrever sobre o que agora?

By: Vinicius Osterer
Feito em 22 de Fevereiro de 2017.

6 comentários:

  1. Vinicius, como está?
    Escreveu e deixou suas palavras quietinhas pra marcar seu retorno, né? Voltou com tudo. Eu amo seus versos questionadores. E também amei seu novo layout.

    Às vezes fico me perguntando como seria seu processo de escrita... Você consegue escrever a qualquer momento? E você escreve seus poemas de uma só vez, isto é, no dia em questão que fica ao final da postagem, ou você vai trabalhando neles com o tempo até dar por finalizados?

    Beijos!

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    1. Oi, estou bem e você? Amadureci um pouco minhas ideias para Abril, queria um mês mais concreto e social... O layout não poderia ser outro q esta maravilha harmoniosa de Michêlangelo, amo d paixão hsushsushush... Para escrever depende da maneira q flui o negócio, mas não consigo voltar e mudar o texto, gosto dele bruto da maneira q escrevi, confesso q este mês até ontem arrumei bastante coisa, mas sempre deixo a data q ele foi digamos feito e não lapidado... Amei seus últimos relatos, é apaixonante sua maneira de ver as situações e a vida!! :D

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    2. Oi, estou bem também, obrigada!
      Tenho a impressão de que o texto perde sua essência quando o alteramos num momento posterior, sei lá, é uma questão de fidelidade às suas palavras e sentimentos de certo modo. E às vezes até evito ler o que escrevo de novo porque tenho uma inquietação fora do comum pra ficar mudando e acrescentando coisas, mas enfim...

      Por algum motivo eu te imagino como um rapaz que prefere escrever seus poemas numa folha de caderno e depois passa pro blog, só não me pergunte o porquê haha
      Obrigada, você é um amor!

      Beijos

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    3. Tenho a mesma impressão... tanto q relutei mais de três anos para colocá-los em um livro... Não queria ler tudo de novo... É estranho para mim, nunca me deixa bem. Já tenho uns 7 cadernos grandes cheios de ideias e poesias... No começo eram um diário pessoal, mas sempre estou com algo para anotar na mão... Nunca se sabe, já rabisquei até a palma da mão uhsuhsuhs Lavar a louça é divino, rompe qualquer bloqueio! hushusuhshus

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    4. Nossa, 7 cadernos é muita coisa! Novamente: você escreve bastante ;)

      Na hora que surgem ideias, até a palma da mão serve e, ah, lavar louça é divino mesmo, muitas reflexões haha ♡

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