7.2.17

Houston

Houston, temos um problema,
A arte performática está em cena,
Me leve para a lua de seus olhos,
Quero transpassar a sua atmosfera.
Não interessa a mais ninguém,
Nós dois juntos somos alguém,
Maior do que este sistema solar e era.
Dentro dos anéis de Saturno,
Seu beijo noturno,
Houston, temos um problema.

Houston, o problema acabou,
A galáxia da sua boca me enfeitiçou,
E me sugou como um buraco negro,
Me puxou, me puxou, me puxou.
Eu quero fazer sentido no planeta,
Deixei minha vida exposta e aberta,
Não posso amar como alguém que amou.
Dentro das palavras que são universais,
Eu quero você e seus espaços siderais,
Houston, ele dorme como um anjo.

Senhor da torre de comando,
Estou perdido e sem direção,
Estou parado lhe procurando,
Nas palavras da escuridão.
Estou em crise de identidade,
E não sei se isso é interestrelar,
Pode ser que seja minha idade,
Dizendo que não posso mais brincar,
Houston, me ajude!
Eu preciso de uma coordenada!
Peguei o meu celular e disquei,
Para a ajuda tão aguardada.
911, estou perdendo o contato.

Minha vida muda como as fases da lua,
Uma hora estou em casa, na outra na rua.
Lendo um livro de cultura anormal,
Bebendo na chuva, curtindo o carnaval.
E vão dias, e dias vem.
As coisas sobem e as coisas caem.
E fico parado contando estrelas.
Houston, como é bom vê-las!
Talvez não precise mais performar,
Abrir meus olhos e me odiar.
Eu gosto da arte do desprezo.
Talvez não saia ileso,
Tenho um punhado de meteoros nos bolsos.

No primeiro dia queria me matar,
Estava sufocando e sem ar,
Tinha muito para lhe dar dentro do peito.
No segundo queria esquecer,
Tinha muita coisa para fazer,
E não estava pensando direito.
No terceiro me arrependi,
Chorei, e fingindo eu sorri,
Quando fiquei com você em um momento.
Depois, os dias foram os mesmos,
Estrelas e chuvas de cascalhos,
Viajando por espaços revolucionários,
E por ideias que não deveriam ser ideias.

Houston, temos um problema,
Não sei para onde vai este foguete!
Como eu devo me apresentar?
Isso tudo não tem mais volta.
Houston, ele dorme como um anjo,
Para toda a eternidade.

By: Vinicius Osterer
Feito em 28 de janeiro de 2017.

4 comentários:

  1. Oi, Vinicius, como está?
    Maravilhoso.
    O que tem te inspirado ultimamente?
    Beijos!

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    1. Oi. Tudo bem? Estou bem!! Tanta coisa tem me inspirado... Minhas incertezas constantes, minha vontade de viver, a positividade que me permito vivenciar, o amor de todas as formas, a alegria do pôr do sol, tantas e tantas coisas... :D Coisas simples mas tão notórias...

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    2. Estou bem também, obrigada.
      Tudo muito inspirador ;)

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